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Menstruar ou não menstruar, eis a questão que ainda divide médicos e mulheres. Ainda assim, interromper a regra mensal é uma prática procurada por quem quer por fim às cólicas, dores de cabeça e todos os sintomas da tensão pré-menstrual.
Antes de fazer a sua escolha, é válido fazer um debate com seu ginecologista de confiança sobre o tema. Para a ginecologista e obstetra Dra. Denise Gomes, o primeiro passo é conhecer o significado do sangramento vaginal, entender as consequências de sua interrupção e avaliar os benefícios da rotina feminina. “A menstruação é quando o endométrio, camada que envolve a cavidade do útero, é criado, mensalmente, para preparar o corpo para a gestação. Quando a gravidez não ocorre, o endométrio descama e é liberado através do sangramento para ser novamente criado no mês posterior”, explica.
Como interromper?
Os anticoncepcionais que utilizam somente o hormônio progesterona são os mais utilizados no caso da interrupção da menstruação, porque impedem a síntese natural dos hormônios femininos, a formação do endométrio, e por consequência o sangramento. Os efeitos indesejados dessa opção são sutis, mas existentes. “O uso ininterrupto dos hormônios pode gerar sangramentos irregulares no início do tratamento. Além disso, o fim da menstruação pode acarretar em aumento da oleosidade da pele e acne para algumas mulheres”, afirma a médica. O cessar da menstruação também pode esconder sintomas de problemas nas glândulas da tireoide e suprarrenal e, por isso, pode ser perigoso para a saúde feminina, se não acompanhado de um médico especialista.
Muitas mulheres acreditam que esse método pode causar dificuldades às que desejam engravidar, mas a ginecologista afirma que ele não interfere na fertilidade. “Os métodos hormonais não causam infertilidade permanente. Alguns meses após a interrupção do tratamento, as mulheres estão aptas para a fecundação, mas é imprescindível visitar o ginecologista regularmente para verificar alterações indesejadas e controlar as taxas hormonais”, orienta a médica.
Quanto aos benefícios de interromper as regras mensais, estes anticoncepcionais hormonais reduzem o risco de surgimento de endometriose, miomas uterinos, câncer no endométrio, combatem cólicas menstruais e auxiliam no combate à anemia e à tensão pré-menstrual.
Opções de tratamento
Para tomar a melhor decisão é preciso conhecer os métodos disponíveis, entre eles a injeção trimestral de progestogênio, que tem como vantagem evitar o desgaste do fígado, mas também pode causar retenção de liquido, dores de cabeça, aumento de peso e sangramentos irregulares.
Também se encontram no mercado implantes de uso intradérmico que têm duração de três anos e devem ser manuseados pelo médico. O DIU é a opção mais duradora, pode evitar a menstruação e a gravidez por até cinco anos e reduzir significativamente os sintomas pré- menstruais. “Depois de avaliar todas as vantagens e desvantagens da interrupção da menstruação, cabe às mulheres e aos médicos decidirem os métodos aplicados para interromper a menstruação de forma saudável”, finaliza a ginecologista Denise Gomes.
Ana Paula Alcântara
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